domingo, 24 de outubro de 2010

O paradoxo do Imprevisível

Sinto-me encurralado entre muros fortes e altos que tentam me sucumbir, às vezes tento escalá-los para tomar um ar, mas as paredes são frias e escorregadias. Caio no chão, luto contra mim. E há de existir essa luta constante? Até que os dois eus se transformem em um só. Não espero que um assassine o outro. Ambos fazem parte mim. O bem e o mal, a dor e o alívio, o existir e o não existir. Sou o paradoxo do imprevisível. Me apaixonei por gestos, por faces, por pessoas. Consegui fazer loucuras maiores do que as do ontem. Me pus do lado de fora de mim para descobrir essa realidade. Para mim o belo é o feio ao mesmo tempo. Tudo se funde e o nada é o algo.

Sou verão

Acordei e não tinha ninguém ao meu lado. Era cedo, mas mesmo assim já tinhas ido. Se é que me visitou. Meus pensamentos foram novamente corriqueiros. Fugi. Cantei. Levantei. Não quis não querer mais. O vento soprou. Vi os cisnes no lago. Um me observou, me olhou. Mas, não posso negar-te para depois querer-te. Eis quem sou. Sou Um troiano lutando com o grego que existe dentro de mim mesmo. Dize-me onde encontro o tesouro. Terei que escavar por quantas eternidades, é difícil ser onde não sou. Sou as mudanças sazonais. Hoje sou verão. Quente, porém estou seco. Não houveram chuvas torrenciais para que eu pudesse me refrescar. Estou tentando parar com tudo isso... Não preciso falar de mim. Ou preciso? Estou me procurando. Busca incessante, válida. Transcendi, sugeri, tentei fazer aliterações para tudo ficar mais belo. Mas, o belo pode optar por não se apresentar como belo. E é o tempo do tempo.